quinta-feira, 31 de maio de 2012

MULTIRRESISTÊNCIA BACTERIANA





S.INTERMEDIUS MULTIRRESISTENTE: UM PROBLEMA EMERGENTE.


Publicou-se nos últimos anos vários artigos sobre a incidência crescente do isolamento na Europa e nos Estados Unidos de S.pseudointermedius multirresistente (MRSP), isto é , resistencia a pelo menos cinco grupos diferentes de antibióticos, incluindo meticilina, cefalexina e enrofloxacina. O gene MECA foi identificado em todos os casos como o gene encarregado de conferir a resistência aos antibióticos B-lactâmicos.

O tratamento das infecções estafilocócicas em animais domésticos se tornou mais problemático nos últimos 5 anos. Durante muitos anos, os veterinários se concentraram no tratamento das infecções causadas por Staphylococcus pseudintermedius em cães e gatos . Staphylococcus schleiferi (coagulase positivo ou negativo) via-se como patogênico infreqüente em caninos e pessoas. A outra espécie comum de estafilococo, Staphylococcus aureus ficou relegada à discussão de doenças em humanos.

Atualmente, Staphylococcus aureus está sendo identificado com maior freqüência como patogênico em animais domésticos e como causador de doença cutânea. (CAVALCANTI, 2005)

A resistência à meticilina (RM) complicou o uso de antibióticos em medicina humana. A RM se detecta com freqüência crescente em medicina veterinaria e terá um impacto substancial sobre a forma de tratamento das doenças cutâneas causadas por espécies estafilocócicas no futuro. Descreveu-se RM em Staphylococcus aureus (adquirido em hospital, principalmente), Staphylococcus pseudintermedius (MRSP), e Staphylococcus schleiferi (MRSS).

O tratamento empírico, e não o cultivo bacteriano e confeçção do bacteriológico frente as infecções estafilocócicas foi a provável causa da resistência.

Segundo Morris, a prevalência crescente de RM em animais domésticos poderia ser uma força evolutiva seletiva mais potente do que os fatores bacterianos específicos do hospedeiro como as características de adesão. É lógico e as inflexões de tal realidade são muitas. Em medicina humana, há evidências de que o uso de fluoroquinolonas pode iniciar uma RM potencializada em S.aureus. Em um artigo de Morris, a RM em S. pseudintermedius está aumentando e se caracteriza por uma maior resistência a fluoroquinolonas: Os antibióticos mais confiáveis frente a RM foram o cloranfenicol e as sulfonamidas concentradas. (MORRIS, 2004)

Alguns autores já recomendam o cultivo e antibiograma para todos os casos de piodermite que não responderam inicialmente ao tratamento antibiótico empírico apropriado, o que foge da prática vigente. (CAVALCANTI, 2005)

Este problema rebaixa o âmbito da dermatologia veterinaria e se deveria enquadrar como uma prioridade em saúde pública, desde o ponto de vista das zoonoses, já que experimentalmente foi demonstrada a possível transferência de material genético, que confere resistência frente aos antibióticos, entre Staphylococcos de diferentes espécies animais, incluído o homem.


Dra. Andrea F. Nagelstein- PELEPET


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