sexta-feira, 6 de agosto de 2010

DERMATITE ATÓPICA EM CÃES


A Dermatite Atópica (DA)é uma dermatopatia pruriginosa crônica. É genética, inflamatória e disqueratótica. É multifatorial agravada e intensificada por outras patologias e agentes secundários(como bactérias e leveduras).
HOJE É A PRINCIPAL DERMATOPATIA ALÉRGICA DE CÃES

Os indíviduos predispostos se tornam sensibilizados a alérgenos ambientais,como ácaros, fungos, gramíneas, pólens, bacterias.... também à irritantes , como picadas de ectoparasitas , produtos químicos..   (DETHIOUX,2006; MARSELLA, 2006; GROSS, 2009).
O ácaro da poeira doméstica, é o principal responsável.

Os alérgenos , absorvidos percutaneamente (SCOTT et al, 2001; DeBOER, 2004) gera o desencadeamento de uma Reação de Hipersensibilidade Tipo1 (ALVES et al, 2002; OLIVRY et al, 2002), o que estimula a produção de Imunoglobulinas E (IgE) (GRIFFIN, 2001; DETHIOUX, 2006; MARSELLA, 2006).
A reação desses anticorpos, fixados à superfície dos mastócitos, mediante a alérgenos específicos induzem a liberação de mediadores responsáveis pela reação inflamatória e prurido (WILLEMSE, 1998).

Um fator genético físico e mecânico da doença é o fato da pele atópica ser mal estruturada geneticamente. Histologicamente, a pele é "aberta", e seca, ou seja há menor emulsão lipídica entre suas organelas,e consequentemente perda de água transdérmica e/ou falta de retenção, e redução de peptídeos antimicrobianos, que confere proteção contra infecções. Sendo seca e predisposta, coça e o trauma devido ao prurido leva a destruição das camadas, inflamação e aumento de agentes oportunistas , como bactérias e fungos saprófitas, aumentando também o limiar pruriginoso, e induzindo um ciclo vicioso.

A DA é considerada uma das principais causas de prurido no cão
GUAGUÈRE e BENSIGNOR, 2005). Afeta de 10 a 15% da população canina e, animais com piodermites, mallasseziose e otites recorrentes devem ser considerados suspeitos de cursarem com DA como doença de base (FARIAS, 2007).

Em felinos, ainda há controvérsias no que diz respeito à doença (SCOTT et al, 2001). A frequência com que ela se manifesta varia bastante, e os sinais clínicos não são bem caracterizados quando comparado a Atopia canina (GROSS et al, 2009). Não há
evidências que sustente uma predisposição herdada nesta espécie (MEDLEAU, 2003).

A DA em cães pode se desenvolver tanto como doença sazonal quanto não sazonal.
Isso dependerá dos alérgenos envolvidos. Das alergias não sazonais, 30% dos casos irão resultar em problemas alérgicos perenes e crônicos (WILLEMSE, 1998; HILLIER, 2002).

Estudos mostraram que animais nascidos em meses de polinização tenderiam a desenvolver a doença e sofreriam a sensibilização primária durante aos primeiros quatro meses (SCOTT et al, 2001).

A idade de surgimento da doença situa-se entre 1 e 3 anos em 70% dos casos (SCOTT et
al, 2001; DEBOER, 2001). É raro que os sinais clínicos se manifestem antes dos 6 meses ou após os 7 anos de idade,mas já foram descritos casos com idade inferior há
3 meses (DETHIOUX, 2006).

A maioria dos relatos apontam a existência de predileção racial por cães Terriers, mas estudos recentes apontam a predileção pelas raças Labrador e Golden Retriever
DETHIOUX, 2006; GROSS et al, 2009), Dachshund e Poodle (GRIFFIN e DEBOER,
2001); e Sharpei, Lhasa-Apso, Dálmata, Pug, Cocker Spaniel, Akita, Buldog Inglês,
Boxer, Schanauzer Miniatura e SRD (LUCAS, 2007). WHITE (2003) também afirma e
relata a existência da doença em cães mestiços.

Nas ultimas décadas tem havido avanços na compreensão relacionada à patogênese
da DA em cães. Aspectos como caracterização, apresentação e processamento do alérgeno,
papel das sub populações de linfócitos e mastócitos, envolvimento do IgE e outros
anticorpos, e a influência de células efetoras vem sendo estudados para o entendimento afim de um melhor controle da doença (HILL e MARTIN, 1998).

É uma doença incurável mas controlável, embora seja dificil, pois envolvem inumeros fatores.Essa realmente é a doença pruriginosa(que coça) mais desafiadora para o clínico veterinário.Exige muita dedicação do clínico, e colalaboração do proprietário.

Após o diagnóstico de Dermatite Atópica, o controle de inúmeros fatores (como controle de ectoparasitas, alimentação, controle de alérgenos ambientais, aumento de resistência da barreira cutanea....) deve ser preconizado afim de não exceder o limiar pruriginoso do cão impedindo a exacerbação da doença.

É uma tarefa bem árdua para o proprietário , que deve seguir a risca todas as orientações e para o veterinário, que deve estar atendo à fatores individuais dos pacientes e estar atualizado no assunto.
E mesmo assim, precisamos de uma boa resposta do animal. Esta é individual.

Mas com o avanço terapêutico e tecnológico para animais, é possivel obter o controle ou pelo menos amenizar o quadro e dar mais qualidade ao paciente
Hoje existe protocolos terapêuticos mais seguros ,  técnicas, como a imunoterapia , que a longo desvia a reação alérgica, e produtos tópicos de alta tecnologia

Dra. Andrea F. Nagelstein

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